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Série Anatomia - O que tem dentro de um protetor solar? Confira os ingredientes suspeitos






A cada nova temporada de verão, quando o mercado de consumo volta as atenções para o tema proteção, você se pergunta o que tem dentro de um protetor solar? Entre fragrâncias sintéticas, conservantes considerados suspeitos de serem disruptores endócrinos, derivados de petróleo, há ainda ingredientes facilmente encontrados nas fórmulas dos protetores e que, hoje, estão na lista de suspeitos de serem tóxicos tanto para a saúde humana, quando para para a natureza – sendo nocivos sobretudo aos corais.


É o caso da Benzophenona 3, filtro químico mais usado no mundo. Além deste, há outros com mais ou menos evidências e que pedem um olhar criterioso. Ainda assim, fórmulas em que eles aparecem presentes merecem a nossa atenção. Em alguns casos vale conversar com a marca em questão procurando saber sobre proporção usada e até mesmo um laudo que garanta o baixo impacto.


Porque estes ingredientes são eleitos como suspeitos?


Segundo o Guia de Proteção Solar do Evironmental Working Group (EWG), “os ingredientes dos filtros solares não devem ser irritantes ou causar alergias na pele, e os produtos de proteção solar devem ser capazes de resistir à poderosa radiação UV sem perder sua eficácia ou formar produtos de degradação possivelmente prejudiciais. As pessoas podem inalar os ingredientes dos sprays de protetor solar e ingerir alguns dos ingredientes que aplicam nos lábios, portanto, os ingredientes não devem ser prejudiciais aos pulmões ou órgãos internos”.


Vale lembrar que a proteção solar é um tema delicado dentro da seara da cosmética natural e sustentável.

O Brasil é um País com alto índice de câncer de pele. Soma-se a este contexto um cenário onde as marcas ainda tem feito uma transição (lenta) para fórmulas mais limpas e livres de crueldade animal, e com poucas opções naturais (realmente livres dos principais suspeitos) e testadas clinicamente. Sendo assim, não é responsável afirmamos simplesmente “se não puder ter acesso, não use. É o melhor para você e o planeta”. Aqui neste guia falamos sobre como a proteção solar pode ser consciente para além de um filtro, mas por meio de atitudes.


 Anatomia do protetor solar: oito ingredientes suspeitos  de serem nocivos

Possíveis ingredientes suspeitos dentro de um protetor solar


  1. BENZOPHENONE-3 (Oxibenzone ou benzophenone): é o filtro químico mais popular do mundo porque ele tem ampla faixa de proteção tanto pra UVA quanto UVB; é relativamente mais barato que os outros e cosmeticamente bem aceito. A dermatologista Patricia Silveira, do Rio de Janeiro, lembra que pesquisas recentes feitas nos EUA já encontraram benzophenone 3 em amostras de urina e leite materno. “A benzofenona está envolvida em reações alérgicas. É que ela não é tão estável e, por isso, é combinada a outros filtros químicos, e como disruptor hormonal”, explica. No meio ambiente  está relacionada diretamente no prejuízo da vitalidade dos corais e na reprodução de fitoplânctons.

  2. Homosalate (homosalato): pesquisas o colocam como substância que impacta nos níveis de estrogênio, androgênio e progesterona. Mas, segundo relatório da plataforma de pesquisa limpp, "Possibilidade de irritação na pele, olhos ou respiratória caso inalado. Quanto a sua capacidade de toxicidade reprodutiva, mais estudos devem ser realizados, visto que existem conflitos de dados."

  3. MBC (4-methylbenzylidene)​: há evidências de sua atuação como disruptor endócrino humano. É bioacumulativo no meio ambiente, sendo toxico para a vida aquática com efeitos de longa duração.

  4. PARA-AMINOBENZOIC ACID (PABA): apesar de liberado no Brasil, figura na lista de proibidos da União Européia, Estados Unidos e Canadá. Seu potencial de bioconcentração em organismos aquáticos é baixo, porém existente.

  5. Padimate O : pode causar irritação aos olhos e a pele, e também é suspeito de toxicidade reprodutiva. A produção e o uso como absorvedor como ultravioleta em filtros solares e cosméticos, pode resultar em sua liberação para o meio ambiente através de vários fluxos de resíduos. Seu potencial de bioconcentração em organismo aquáticos é muito alto.

  6. Octinoxate ou ethylhexyl methoxycinnamate): os impactos na saúde humana se limitam a riscos de dermatites. Já meio ambiente é considerado tóxico para os organismos aquáticos.

  7. Octocrylene:  é suspeito de ser tóxico para os organismos aquáticos com efeitos duradouros quando liberado no meio ambiente através de vários fluxos de resíduos. Mas ainda não é uma conclusão: o ECHA considera a substância como perigosa para o meio ambiente enquanto o Pollution Waste Canadá acredita que ela é segura, embora concorde que ela seja bioacumulativa. 

  8. ALÉM DE: marcas que usam boa parte dos ingredientes acima, em geral, também fazem uso de Parfum (conjunto de mais de cinco mil compostos químicos e sintéticos que podem provocar alergias diversas e, por segredo de indústria, não temos acesso),  petrolatos e, em muitos casos, ainda testam em animais.

[***Com informações de: Evironmental Working Group (EWG), FDA (Food Drug Administration), Limpp.com.vc ,  Série #listatóxicadabeleza , Pollution Waste Canadá ]

Nota editorial: consideramos que a proteção solar também pode ser complementada por atitudes e cuidados e, assim, não depender exclusivamente de um produto cosmético. Por isso, sugerimos a leitura do material sobre Proteção Solar oral\interna (aqui) e o Guia da Proteção Solar Consciente (aqui). Mas, antes, compartilha este artigo sobre os ingredientes suspeitos dos protetores com a sua rede.


Reportagem: Karen Faccin e Marcela Rodrigues

Ilustração: Marília Senott para ANaturalíssima


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1 comentário


Adecy Figueiroa
Adecy Figueiroa
11 de jan.

Qual a visão sobre o uso de dióxido de titânio nos protetores solares indicados, uma vez que esse produto foi proibido na França?

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