Série Anatomia: as substâncias e impactos por trás do termo Parfum e Fragrância nos cosméticos?




O universo das fragrâncias é um dos mais nebulosos e delicados dentro das discussões sobre o impacto da indústria da beleza. Não raro o termo *Parfum está na lista de substâncias suspeitas. De fato, são vetados pelas certificadoras de produtos da categoria orgânica e natural. Mas há muita complexidade por trás do tema.


A começar pelo fato de "parfum" não ser uma substância única como parece, mas uma combinação de ingredientes. Normalmente possui algum tipo de diluente como álcool, fixadores e outras substâncias para formar as fragrâncias. É aí que entra a polêmica. E, logo, acredito ser injusto incluir na lista de suspeitos sem as devidas considerações.


Utilizando-se da Lei de Patente e da Lei de Segredo Industrial, alguns ingredientes não são abertos ao público ficando agrupados como Parfum.

É por isso que raramente sabemos o que há, realmente, por trás das fragrâncias dos produtos de cuidados pessoais. Não à toa, na plataforma de pesquisa de ingredientes limpp.com.vc, "parfum" tem a classificação cinza (inconclusiva). "Portanto, sempre que temos essa nomenclatura não conseguimos classificar", - justifica a plataforma.


Se é por má fé das empresas ou realmente seguindo a praxe de proteger suas fórmulas exclusivas (de, fato, o setor tem um apelo artístico e autoral), não importa: a falta de transparência vai do desenvolvimento de fragrâncias no mercado de cosméticos à indústria da perfumaria.


O que tem por trás do parfum\fragrância





Apesar da lei que protege as formulações autorais, algumas substâncias são usadas com frequência no desenvolvimento de fragrâncias convencionais. Algumas, mesmo de origem natural, também podem estar envolvidas em dermatites. E é dessa informação que surge o alerta: será que precisamos mesmo de fragrâncias em todos os produtos?! Este é o tema a ser debatido no próximo artigo nosso especial.


Seis substâncias suspeitas que são usadas em fragrâncias



1) Lilial: usada para perfumes e matérias-primas aromáticas - de cosméticos a produtos de limpeza. É suspeito de ser tóxico para feto e fertilidade, além de irritante e sensibilizante, e está em análise como como disruptor endócrino. A produção e o uso em aromas e perfumes artificiais, principalmente como fixadores, podem resultar em sua liberação para o meio ambiente através de vários fluxos de resíduos, sendo nocivo ao ambiente aquático.


Segundo a plataforma de pesquisa limpp.com.vc, o risco aumenta se utilizado em produtos no formato spray onde exista algum tipo de inalação. "A presença da substância deve ser indicada na lista de ingredientes quando a sua concentração exceder 0,001% nos produtos não enxaguados e 0,01% nos produtos enxaguados", destaca a observação. Nos rótulos: Lilial, Butilfenil Metilpropional, Lilestralis,



2) Ftalatos: apesar de ser sempre lembrado como umas das substâncias mais tóxicas nos esmaltes, é mais presente nas fragrâncias sintéticas do que pensamos. Além de funcionarem como hormônios leves, eles podem influenciar na capacidade reprodutiva de homens (atrapalham a produção de espermatozoides) e mulheres, aceleram o processo de puberdade e tem ação no processo da gestação. Eles já foram classificados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer como possivelmente carcinogênicos para humanos. No meio ambiente eles são considerados poluição de água e alimentos, sendo uma substância difícil de ser removida.


3) Musk Xylene: esta versão sintética do Almíscar, tradicionalmente extraídos de alguns animais, tem sido associado a desequilíbrio hormornal. Nos rótulos: musk, xylene e tonalide.


4) Limonene e Linalool: