Guia do rótulo: sete passos para ler e entender a embalagem dos cosméticos





Para a maioria das pessoas o entendimento dos rótulos é o grande desafio no consumo consciente em beleza e higiene pessoal. Os mais desavisados e novatos neste assunto logo atribuem tal dificuldade às marcas.


“Mas e se os rótulos fossem em português?” – perguntam muitos. Este questionamento tão comum vai se tornar realidade em breve. Há poucos dias, como fruto de uma ação judicial no RJ que obriga a Anvisa a considerar a nova RDC 432, os fabricantes serão obrigados a colocarem o nome dos ingredientes de seus produtos em português.


A novidade vai mesmo movimentar o mercado clean beauty. Mas não pense que é apenas facilitando. Há uma desvantagem do impacto ambiental ao acesso. Já é possível prever algumas desvantagens, ainda sem solução. Entre elas está o fato de que a regra acabará adicionando mais carácteres nos rótulos.


Como o nome INCI (Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos) deve ser mantido, os fabricantes terão que se virar para caber tanta informações em uma única embalagem.  O receio é que, por isso, as marcas  terão que adicionar uma embalagem secundária, gerando mais lixo e até mesmo encarecendo o produto.


Em todo caso, confira as informações básicas, porém essenciais, que precisam estar estampadas nas embalagens e pedem nossa atenção (e senso crítico):


Anatomia de um rótulo de beleza: 7 passos para decifrar

Anatomia de um rótulo com exemplo Terra Flor


Antes é importante entender o tipo de produto: se é natural, vegano, orgânico, cruelty-free, clean, artesanal. Ainda que o próprio rótulo possa indicar, é importante e interessante saber um pouco sobre os critérios.


Temos um guia explicativo aqui. Depois, é só ativar o olhar atento e prestar atenção nas seguintes informações:


1 –  Os ingredientes dos produtos de beleza estão listados em ordem decrescente, sendo os primeiros as maiores concentrações. Mas há uma exceção: qualquer ingrediente com concentração menor que 1% na fórmula, pode ser listado ao final ou mesmo fora de ordem desta lógica. Em resumo, fique de olho nos ingredientes do topo da lista: quem está por ali? Os suspeitos, mesmo nas concentrações permitidas, ou os ingredientes naturais e orgânicos? Isso diz muito. Esta é outra regra que pode mudar em breve. Então entender o impacto dos ingredientes de forma isolada é importante.


2- Sabe as letras pequenininhas dos rótulos, aqueles nomes difíceis? Elas seguem um padrão e não à toa. As substâncias presentes em um cosmético são nomeadas pelo INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients). Os termos associados à cada ingrediente e a forma como eles estão listados devem, em geral, seguir um protocolo que não possui idioma específico, seus nomes são baseados nos nomes científicos (ingredientes de origem natural por ex.), latim e inglês. Isso permite que sejam lidos e reconhecidos internacionalmente.

Fiscal de rótulos? Precisa entender os ingredientes


3- Quando há ingredientes naturais na composição, usa-se o nome da espécie da planta original, mencionado em latim, bem como a parte da planta de onde o ingrediente é retirado. Alecrim aparece como Rosmarinus, como na imagem acima. Por isso até rótulos de fórmulas bem naturais tem nomes esquisitos e pouco conhecidos. Com a mudança na Anvisa, como explicamos acima, logo as embalagens terão o nome em português também.

4-  Devido o tamanho na embalagem, alguns dados não estão descritos no rótulo, como o fabricante, endereço, mas é possível consultar a situação do produto através do site da AnvisaAlguns dados podem estar nos rótulos, outros em embalagens secundárias – prática que marcas conscientes tem tentado evitar. Todas as informações relevantes (onde se fabrica, número de lote, sac, ingredientes e afins devem estar na embalagem.


5-  É por meio do rótulo que as empresas mais praticam o Greenwashing (com tradução livre, em inglês: lavagem verde), que é uma pratica nada ética que algumas empresas passam a aderir quando querem fazer com que um produto\serviço pareça sustentável. No rótulo esta prática costuma acontecer por meio de imagens de flores, cores esverdeadas, mensagens de bem-estar e até nomenclaturas difíceis. Ou mesmo seguem tendências visuais que as empresas realmente sustentáveis passam a aderir, como a estética minimalista. Outro artifício comum de greenwashing: evidenciar que a fórmula é cruelty-free e livre de um ou dois ingredientes tóxicos, enquanto possui diversos outros nocivos. O objetivo é desviar nossa atenção. Assim remetem ao conceito natural e saudável, fazendo  com que as pessoas confiem de imediato e nem mesmo leiam o rotulo.


 6 – Rótulo da beleza limpa, um caso à parte: como