O que rituais tem a ver com sustentabilidade e regeneração



O que rituais tem a ver sustentabilidade e regeneração? Para chegar a resposta

(não-absoluta) eu tenho outra pergunta:


Como praticar escolhas realmente conscientes vivendo em modo automático, não (re)conhecendo o próprio ritmo e conformando-se com respostas pasteurizadas e rasas sobre o que é natureza?

Um cotidiano ritualizado nos leva a habitar o tempo aqui-agora, nossos corpos, e a nossa divina presença. É atalho de reencontro com o nosso ritmo próprio; com a ancestralidade.


Ritualizando, acessamos as tecnologias naturais mais avançadas: intuição, imaginação, intenção, co-criação, empatia...


E atentos ao que é essencial, experienciamos escolhas realmente conscientes. Assim, ritualizar se faz atalho leve e prazeroso para a reconexão e, então, para a regeneração interna - que nos leva a todas as outras.


Mas é importante reconhecer que a prática de ritualizar é bem menos mística do que parece. Mas também pode ser - e tudo bem.


“Em todos os tempos e culturas, os seres humanos têm usado rituais para nos ajudar a lembrar quem somos. Através do ritual, reencenamos nosso lugar no mundo. Eles são um veículo humano para encontramos o sagrado” - (Alex Wildwood )




Foi a partir dessa perspectiva holística para a sustentabilidade e a regeneração, que conectei o resgate dos rituais ao caminho para uma vida mais atenta, consciente e desperta - sem deixar o senso crítico de lado.


Desta reflexão que tanto me atravessava, nasceu manifesto "mais rituais, menos coisas" para inspirar aqui pelas narrativas digitais uma vida mais intencional, presente e atenta. Mas nunca foi sobre ter aversão ao consumo ou ser contra produtos. Consumir faz parte do nosso cotidiano em sociedade.


Trocando o modo automático pela calma, ancorando em presença, adotando práticas de atenção plena e resgatando o hábito de intencionar, habitamos plenamente nosso corpo, nosso tempo aqui-agora; nos permitimos intuir. E, assim, nos tornamos mais atentos à nossas cotidianas.

O manifesto "mais rituais, menos coisas", que também se materializou no "Baralho de Rituais" - um oráculo com vinte e oito rituais - é muito mais sobre escolhas conscientes - sobretudo em colocar mais o protagonismo nas nossas sensações, experiências, e intenções e menos nos produtos.


Este, acredito, é um caminho potente em uma sociedade que insiste em vender a ideia de que precisamos ´produtos da vez e lançamentos para nos cuidar e relaxar. Cosméticos, velas, acessórios e afins não precisam ficar de fora, aliás são bem-vindos para complementar e, muitas vezes, reforçar uma ação. Mas não como protagonistas.


Calma, atenção plena, imaginação e intenção nos guiam por este resgate que é o ritualizar. Talvez seja um caminho fácil par alguns, distante para outros, afinal são praticas perdidas em uma vida desconectada do principal.


Seja um banho de chuveiro ou uma defumação com ervas; uma respiração consciente ou o feitio de uma talismã; um banho de sol ou uma afirmação, ritualizar é muito menos místico do que parece. Mas, caso seja, e este é um caminho válido, e tudo bem.

Como li certa vez - possivelmente em outras palavras - tudo o que é material tem raízes no invisível.


ritualizado pela intenção,

Marcela Rodrigues