Mulheres são mais impactadas pelo plástico do que os homens, diz Atlas do Plástico


Não é muito difícil chegar à conclusão de que as mulheres são mais impactadas pelos plásticos do que os homens. Pelo menos para quem tem consciência do uso de diversos tipos de plásticos nas composições dos produtos cosméticos e também de higiene. Mas é o que endossa o Atlas do Plástico, publicado originalmente em Berlim pela sede da Fundação Heinrich Böll e pelo movimento Break Free From Plastic.


O motivo? Segundo o relatório, há razões biológicas, já que os corpos femininos reagem de maneira diferente às toxinas: os corpos das mulheres contêm mais gordura que os dos homens e, portanto, acumulam mais produtos químicos solúveis em óleo, como plastificantes de ftalato.


Não bastasse isso, mulheres também são as mais impactadas pelo consumo de produtos de higiene, maquiagem e até cosméticos que podem ter e\ou estar contaminadas por tais substâncias.


Plástico e impactos na saúde da mulher




Para além dos impactos no ecossistema causados pelo uso irresponsável do plástico em itens de uso único, ou seja, facilmente descartáveis, é urgente olharmos também para o impacto na saúde humana. De qualquer forma, é tudo sobre saúde planetária.


As substâncias plastificantes, cujo contato pode acontecer de diferentes maneiras, têm sido apontada como disruptores endócrinos, ou seja, afetam o funcionamento dos hormônios de mulheres, homens e crianças…Mas é na saúde feminina o maior impacto.

Segundo o Atlas do Plástico: “cerca de 30% dos trabalhadores da indústria de plásticos em todo o mundo são mulheres. Para que itens de plástico baratos possam ser produzidos em massa para o mercado global, as mulheres nos países em desenvolvimento são comumente empregadas em complexos de produção industrial com baixos salários, muitas vezes em condições perigosas e sem roupas de proteção. Um estudo canadense descobriu que mulheres que lidam com plásticos na indústria automobilística têm cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de mama”.


Impacto do plástico e o gatilho da beleza e bem-estar


No mercado dos produtos de higiene feminina, o plástico é amplamente utilizado. A começar pelo absorvente descartável, que embora tenha facilitado o modo como as mulheres lidam com a menstruação no dia a dia, é um enorme gatilho para a geração de lixo plástico: “uma mulher produz cerca de 150kg de lixo em aproximadamente 40 anos de menstruação”- ADP.


Além desses produtos descartáveis acabarem indo para aterros sanitários, em fontes de água, no mar e em sistemas de esgoto, contém substâncias químicas que podem causar alergias, irritações, intoxicações e doenças. Além disso, no Brasil eles costumam ser perfumados para disfarçar o mau cheiro que surge com o contato do sangue com os produtos químicos presentes no absorvente. E vale lembrar que esta é uma das maiores distorções no tema menstruação: o mau cheiro não vem do sangue em si, mas do próprio absorvente.


Plástico e cosméticos


Os cosméticos também podem ser uma fonte de substâncias nocivas - e não à toa esta é uma das minhas principais bandeiras com a beleza natural e limpa. Há dados de que um quarto de todas as mulheres nos países industriais ocidentais usa até 15 produtos diferentes todos os dias.


Enquanto muitas pessoas ficam preocupadas apenas com a embalagem, grandes empresas criam frascos a partir de plástico verde ou reciclado, mas continuam comercializando shampoos, esfoliantes e até pasta de dente com microesferas de plástico, cujo impacto ambiental contamos aqui, e outras substâncias plastificantes. Muitas, como ftalatos, são consideradas disruptores endócrinos.




O Atlas do Plástico lembra, ainda, que cosméticos contêm microplásticos que podem passar através da placenta que, por não ser uma barreira segura, esses compostos podem influenciar todas as fases do desenvolvimento do útero que são controladas por hormônios.


​Não há como evitar. Estamos expostos a produtos químicos tóxicos e microplásticos em todas as etapas do ciclo de vida dos plásticos. Os poluentes podem entrar em nossos corpos de várias maneiras​.


Na prática de higiene, bem-estar e beleza, é essencial procurar por marcas livres de ftalatos e dos polímeros mais comuns, como polietileno, polipropileno, polietileno tereflalato, polimetilmetacrilato e até náilon (tão comuns em shampoos, esfoliantes e até pasta de dentes em versões convencionais. Para pesquisar no dia a dia sobre cada substância, vale usar a ferramenta limpp.com.vc.